XLVI. M13 - O Rei dos Aglomerados Globulares
A noite começou bonita, com Marte e Saturno separados apenas por 1º14′, praticamente paralelos ao horizonte e ainda bastante próximos da brilhante estrela Regulus (alpha leonis). Nuvens baixas passavam apressadas pelo horizonte norte empurradas por rajadas de vento forte que quase me fizeram desistir de dar início sessão de observação que tinha planeado. Mas não o fiz. E ainda bem. Não fosse o observatório, e não tinha ido mesmo. É uma grande vantagem ter o telescópio já montado, alinhado, devidamente fixo num pilar robusto e protegido do vento pelas paredes da estrutura.
Esteve-se até muito bem lá porque o vento foi amainando e a madrugada trouxe a acalmia desejada. Não havia humidade e, não fosse a Lua e o holofote gigante, que resolveram montar agora em alguma discoteca a sul e que projecta um feixe de luz que atravessa o céu competindo em luminosidade com a Via Láctea, a noite estaria até mesmo muito boa.
Depois de verificar o alinhamento da montagem, apontei as baterias para a famosa dupla Albireo (beta cygni). Esta estrela é paragem obrigatória nas noites de verão. É uma dupla lidíssima com as suas componentes separadas por generosos 35 segundos de arco e a revelarem um contraste de cores impressionante. Albireo A é mais brilhante (mag 3.1) e mostra-se alaranjada, Albireo B (mag 5.1) é azul. O conjunto encontra-se a cerca de 380 anos-luz de nós sobre uma miríade de estrelas na direcção da Via Láctea. Depois da observação visual com a Super Plossl de 26 mm, que proporciona uma vista magnífica desta zona rica do firmamento, resolvi montar a SPC900 no focador e, depois de brincar um pouco com o MaximDl, disparei umas 30 fotos. O resultado, foi a bonita imagem que se pode ver em baixo. Gosto especialmente desta fotografia.

Albireo (β Cygni) - Uma das duplas mais belas do céu
Aproveitando que estava nas redondezas e perto do Zénite, que oferece sempre imagens mais escuras e estáveis (e também mais fáceis de observar num telescópio Newtoniano) movi o telescópio um pouco mais para poente e centrei a imagem na brilhante estrela Vega (alpha Lyrae). Esta nossa fulgurante vizinha encontra-se a cerca de 25 anos-luz e tem uma magnitude aparente de 0.03 o que a torna uma referência na escada de magnitudes e a coloca num honroso 5º lugar na lista de estrelas mais brilhantes. A sua forte luz esbranquiçada pode enganar e parecer-nos mais brilhante que Arcturus (Alpha Boötis) visível um pouco mais a ocidente, no entanto isto não é verdade e, apesar da diferença ser mínima (apenas sete centésimos na escala de magnitudes) esta última é mais brilhante, posicionando-se na 3ª posição no ranking logo a seguir a Canopus (Alpha Carinae mag=-0.72) e à vencedora por larga margem Sírius (alpha Canis Majoris, mag=-1.47).

Vega (α Lyrae) - Uma estrela especial
Por fim desloquei-me para o objecto que tinha planeado tentar fotografar esta noite. O Grande Enxame de Hércules - Messier 13. Ainda não consegui observar este objecto a olho nu aqui na quinta. Sempre tento fazê-lo mas, até à data, em vão. Acredito que seja possível pois, perto do zénite consigo observar, nos dias favoráveis, estrelas perto da 6ª magnitude e este cluster tem uma magnitude aparente de 5.8. No entanto, com a Lua em quarto crescente e bem alta no céu isso seria completamente impossível. Lembro-me que foi este o primeiro DSO que observei em meados do ano passado e que o descobri por acaso enquanto varria o céu com os meus, então, novos binóculos Celestron 15×70. Quando voltei para casa e o procurei no Cartes du Ciel descobri que se tratava de um grande enxame de estrelas. Veja esta entrada no blog.
Não é fácil encontrar objectos pouco luminosos no céu quando se tem a câmara montada no telescópio já focadinha e pronta a disparar. Não a queria tirar de lá para procurar o objecto com uma ocular pois perderia o foco impossível de se conseguir num objecto tão sumido. Resolvi então apontar para uma estrela próxima e relativamente brilhante (escolhi Eta Herculis), sincronizar a montagem nesse ponto e deslocar-me posteriormente para o cluster. Encontrei M13 colocando o ganho no máximo e obtendo uma exposição de 3 segundos. Lá estava ele centrado na imagem e com bastantes estrelas visíveis. Era um bom presságio. Puxei o cluster para o canto inferior direito da imagem para fugir do brilho causado pelo amplificador de sinal da câmara (qualquer dia faço a modificação SC 1.5) e deixei o computador a disparar cerca de 80 fotos de 3 segundos cada. O resultado, depois empilhar cerca de 40 imagens no registax, e de ajustar os níveis, as curvas e de aplicar um pouco de Unsharp Mask no Photoshop e remover algum ruído com o NeatImage, é o que pode ser visto na pequena imagem em baixo. Fiquei bastante satisfeito com o resultado obtido. Note a estrela azul visível no canto superior direito.

M13 (NGC 6205) - O grande aglomerado de Hércules

Colhendo os jovens fotões de 25 anos da estrela Vega
You’re currently reading “XLVI. M13 - O Rei dos Aglomerados Globulares”, an entry on ricardospace.com
- Published:
- 07.13.08 / 2am
- Category:
- Photography, Observations
- Tags:
English