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XXII. First Light – observatório

Apesar de ainda estar muito incompleto o observatório já pôde ser testado este fim de semana. Aproveitando uma noite de sábado com muito pouca humidade e relativamente escura (até cerca das 23h quando a lua nasceu) não resisti à tentação de montar o telescópio na sua futura casa. A primeira sensação é esta mesmo, a de ter um lugar próprio para as observações, onde o aparelho e todo o equipamento relacionado possa ficar guardado e pronto a funcionar em menos de 5 minutos. Isto aumentará dramaticamente o tempo disponível para a real observação e elimina a maçada de andar com o tubo e a montagem para lá e para cá, fazer as ligações, nivelar, alinhar, etc etc e depois voltar a empacotar tudo novamente para voltar para casa. A sensação de chegar, abrir o observatório, ligar o computador e o telescópio (que já se encontra alinhado em “Park” apontado para o PN celeste) e começar a observar em poucos minutos é indiscritível.

Por outro lado não vou vacilar em realizar as observações mesmo quando é previsto mau tempo. Se as nuvens se tornarem muito ameaçadoras ou as condições não me agradarem no momento, em 10 segundos eu tenho o observatório fechado e o equipamento protegido novamente.

Primeiras impressões:

O pilar revelou-se muito sólido. No máximo de ampliação de que disponho actualmente – 133x – posso chuta-lo com toda a força que tiver sem que isso seja perceptivel na ocular. Já esperava isto uma vez que o tubo metálico, já por si muito robusto, está cheio de betão e enterrado num maciço armado de quase meio metro cúbico e isolado do pavimento por uma junta de madeira. O mesmo já não posso dizer da montagem LXD55 que parece ter alguma dificuldade em lidar com o tubo de 8″ do telescópio oscilando um pouco no eixo da latitude em algumas posições. Um problema a analisar no futuro.

Um outro pequeno problema, este sem solução aparente, é a posição do pilar em relação ás paredes do observatório. Calculei mal esse intervalo, que tinha de ser um pouco mais generoso para permitir uma observação mais confortável de certas partes do céu, nomeadamente a parte sul e sudoeste, sem ter de encostar as costas à parede. Na tentativa de deixar o maior espaço possível para a secretária do computador no lado oposto do observatório acabei por apertar demais o telescópio ao canto. De qualquer das formas, e apesar deste pequeno revés, é perfeitamente possível observar todas as áreas do céu disponível.

Um ritual importantíssimo a não esquecer: o observatório não pode ser aberto nem fechado com o telescópio em NPC (em “Park” apontando para Polaris). Se o fizer acontecerá algo de muito mau!! Para maximizar os horizontes disponíveis as paredes do observatório são bem mais baixas que a altura máxima do telescópio. Por isso este deve ser rodado nos dois eixos (declinação e ascenção recta), de forma a ficar com altura mínima, antes de abrir ou fechar o tecto. Assim sendo, o ritual de observação básico é o seguinte:

  1. Ligar o telescópio (que está em park);
  2. Usar o autostar para rodar os dois eixos colocando o telescópio paralelo ao chão. Também pode ser feito manualmente perdendo-se o alinhamento;
  3. Abrir o tecto do observatório;
  4. iniciar sessão de observação;
  5. Colocar novamente o telescópio paralelo ao chão com o Autostar;
  6. Fechar o observatório;
  7. Colocar o telescópio em park;
  8. Desligar o telescópio.

Isto não foi um engano meu. Foi uma decisão consciente porque pretendia sacrificar o mínimo de céu possível. Especialmente o horizonte sul onde as constelações nunca passam muito alto e que, infelizmente para mim, se encontra envolto na PL da cidade de Lisboa e arrabaldes.

Depois do 1º impacto, o resto da noite foi passado a “brincar” com o Autostar e o Cartes du Ciel passeando ao acaso por alguns dos mais conhecidos objectos do céu disponíveis entre as 23h de sábado e as 2:30 de Domingo. Entre outros recordo-me de Marte, Saturno, M42, M34, M81, M82, os três enxames abertos Messier de Auriga entre outros. A ideia era testar o rigor do Goto da montagem que longe de ser perfeita colocava-me invariavelmete todos os objectos nos 1.7º de campo da minha S. plossl 4000 de 26mm e algumas vezes até nos 0.7º da minha ocular de 6mm.

Por volta das 3 da manhã, já com o corrector algo embaciado e algum frio resolvi ir dormir. 15 minutos depois estava na cama!  Uma ponta de inveja? Construa um observatório!

LVIII. 1º contacto com “Drift Alignment”

A noite de Sábado começou com trovoadas e chuvas moderadas mas valeu a pena esperar. Depois das chuvas o céu ficou bastante transparente, apenas com pequenas nuvens aqui e ali. E apesar da noite até estar bastante boa para tirar umas fotos, já tinha planeado tentar alinhar a montagem pelo método “drift” e foi o que estive fazendo até cerca das duas da manhã de Domingo.

Já tinha pesquisado sobre esse método em alguns sites e confesso que só tinha ficado baralhado. Percebia o conceito mas precisava de estar algum tempo ao telescópio para perceber na prática como o fazer. Foi então que encontrei este site muitíssimo interessante e que contém um simulador em Flash que permite aplicar o conceito num telescópio virtual. 5 estrelas! Num instante percebi como aplicar o método e só tive de esperar o fim do dia e do mau tempo para poder começar o alinhamento.

Na verdade é método mostrou ser bastante simples e eficaz, embora algo demorado. O resultado final é que agora consigo exposições superiores a 2 minutos com a SPC900NC sem notar arrastamento nas estrelas. Esta proeza, face ao limite de cerca de 20 segundos anterior, é bastante significativa.

Penso que, com um pouco de paciência, vou conseguir resultados ainda melhores.

O próximo passo, antes de enveredar pelo autoguiding, é descobrir como melhorar os erros da montagem e perceber se a sua função PEC (Periodic Error Correction) é funcional ou não.

MY FIRST DRIFT ALIGNMENT

Saturday night began with thunders and moderate rain but well worth waiting for it to stop. After the rain the sky was transparent, with only small clouds here and there. And although the night was quite good to take some exposures, I had planned to try to drift align my mount and that’s what I did all night long.

I had already read about this method on the internet but was a bit confused. I understood the concept but needed some time at the telescope to really figure it out. I found a very interesting site that contains a flash simulator letting you apply the concept with a virtual telescope. Awesome! In an instant I realized how to do it and only had to wait the end of the day (and bad weather) to give it a try.

The method seems to be very simple and effective, although somewhat long. The end result is that I am now able to get nearly 2 minutes exposures without significant star trail. This is a great improvement, compared with my previous 20 seconds limit. I think that, with a little patience, I will be able to achieve even better results.

The next step, before embarking on auto-guiding, is to discover how to improve the track errors and see if the mounts PEC function (Periodic Error Correction) is functional or not.

XLII. SC1 – SUCESSO

Foi preciso acumular alguma dose de coragem até me resolver a esventrar a minha SPC900NC. A verdade é que não sou propriamente dotado na arte de soldar pequeníssimos componentes electronicos. Especialmente quando o ferro que se possui é grande demais para o trabalhoe não se tem um daqueles “aranhiços” com lupa que agarram os componentes e facilitam um pouco a tarefa. Mas a verdade é que consegui. Comprei o pequeno chip e usei as resistências eléctricas, fios e cabo paralelo que tinha em casa. Tive, no entanto, uma ajuda preciosa: neste site encontrei o esquema e o passo-a-passo para desmontar a câmara e construir o circuito electronico que permite controlar o tempo de exposição das fotografias.

Quando testei a câmara, ainda desmontada, e percebi que funcionava senti um misto de espanto, alegria e alívio. Espanto porque não estava a acreditar muito que a câmara voltasse a funcionar novamente. Alegria porque vou poder, finalmente, adaptar uma câmara (ainda que muito limitada) ao telescópio. E alívio porque foram 50 euros que não deitei no lixo.

No entanto, depois de fechar a caixa da câmara de e liga-la novamente ao computador recebi uma mensagem do windows XP informando que o dispositivo USB estava em curto-circuito. Imaginei que a câmara tinha morrido mas, depois de desligar tudo e construir o circuito todo novamente, desta vez com mais cuidado e experiência, melhor qualidade nos pingos de soldadura e isolando os pontos de cobre expostos, tudo funcionou bem e pude testar a máquina na obscuridade do escritório. Com apenas a luz que vinha do monitor, virei a câmara para o canto menos iluminado da sala e, usando o K3CCDTOOLS, obtive uma exposição de 10 segundos. Impressionante! Parecia que as luzes estavam acesas.

Ainda não tive ocasião de testar a máquina lá fora. Estou ansioso!