Observatório

Em Dezembro de 2007 dei início à construção de um abrigo para o meu telescópio. Balanço um pouco na hora de lhe chamar observatório astronómico pois soa um pouco a exagerado mas, na verdade, parece-me mais correcto observatório do que abrigo pois lá irei fazer as minhas observações não servindo apenas para abrigar o equipamento.

A PESQUISA

Depois de uns 2 meses a pesquisar na net por ideias e fotografias de outros que, como eu, resolveram dar este passo resolvi-me a pôr mãos à obra e “lançar a primeira pedra”.

Na internet encontrei de um tudo. Desde pequenos caixotes mal feitos e inacabados que teriam inveja de uma qualquer casota de cão a autênticos laboratórios ciêntificos a transbordar de equipamento informático e astronómico valendo pequenas (e mesmo grandes) fortunas. Tornava-se óbvio que o meu projecto teria de ficar algures no meio destes dois parâmetros (infelizmente a tender muito mais para o lado da casota do cão por motivos orçamentais). A verdade é que encontrei muitas e boas ideias que adoptei a adaptei às minhas circuntâncias e gostos pessoais.

Percebi, nas minhas pesquisas, que dispunha de dois tipos principais de construção. A clássica cúpula (dome) baseada nos grandes observatórios profissionais, e o chamado “roll-off roof” em que, como o nome inglês indica, o telhado da pequena estrutura desliza, qual tecto de abrir de um automovel, de forma a expor o firmamento. Ambos os sistemas têm vantagens e desvantagens que não enumerarei exaustivamente. Mas, basicamente, para o amador, sem grandes recursos, que pretende construir o seu próprio observatório, a 2ª opção é a mais barata e mais simples de construir. Pode-se, inclusivamente, adaptar um banal abrigo de jardim com simples modificações de maneira a permitir a abertura total ou parcial da cobertura deste. Existem páginas na internet com sugestões e dicas de como o fazer e esta é, na minha opinião, uma das melhores soluções. Estudei uma abordagem deste tipo e estive na eminência de avançar para um projecto assim, mas não foi isso que aconteceu.

A DECISÃO

Foram-me oferecidas algumas chapas de revestimento de fachadas (do tipo ERFI) que sobraram duma obra em muito boas condições e (como trabalho na ramo da metalomecânica) resolvi enveredar por outro caminho – construir uma estrutura totalmente metálica e usar as chapas oferecidas para a revestir. O único receio que tenho desta solução é acumulação térmica que deverá acontecer nos dias mais rigorosos de verão pois, como se sabe, a chapa é um optimo condutor. Uma construção em madeira, por exemplo, não sofreria tanto com este problema. No entanto, tentarei conbater (posteriormente) este contratempo revestindo internamente o observatório com placas de esferovite ou lâ de rocha.

O PROJECTO

Depois de alguns rabiscos em pequenos papeis, que fui espalhando nos locais onde me encontrava por mais de 5 minutos, avancei para um desenho mais pormenorizado em AUTOCAD e pude começar a assentar algumas das ideias que iam surgindo na minha cabeça. A partir deste momento comecei a contar com a valiosa ajuda do meu pai. O meu pai é serralheiro e além de converter muitas das minhas ideias, plausíveis no campo do teórico mas impossíveis no campo do prática, em algo realizavel “no terreno” acabou por ser o mestre de obras e eu o ajudante. Obrigado pai pela tua paciência nesta nossa pequena obra e por me aturares todos estes anos!

A ESTRUTURA

A estrutura, em tubo metálico quadrado de 40×40mm e 1.5mm de espessura chumbada nos seus cantos a pequenos maciços de betão, tem aproximadamente 2.1mx1.9m (CxL) e 2.0m de altura no seu ponto mais alto (cumieira). Para hevitar oscilações durante a abertura e fecho do tecto amovível e reforçar a rigidez do conjunto foram soldados, na maioria dos vértices, triângulos em chapa de 3 mm com aproximadamente 100mm de catetos. Todo este esqueleto é montado, soldado e tratado com uma mão de primário antes de ser nivelado e chumbado no seu local definitivo. Na estrutura do telhado (aquela que desliza na parte fixa) são rebitadas pequenas barras de teflon (com aproximadamente 200×20×5 mm) que minimizam o atrito. Esta foi uma solução que imaginei alternativa ao sistema de rolamentos e/ou rodas que encontrei na maior parte dos projectos semelhantes disponíveis na net. Parece-me um sistema mais simples e barato de realizar, tendo algumas vantagens e desvantagens óbvias. A abertura não será tão suave no entanto parece-me ser mais sólida.

Esta secção do site mostra o processo de contrução do dito observatório bem como as adaptações e alterações que sofreu e possa vir a sofrer no futuro.